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Degustando Sonoridades: dos covers no YouTube ao chillhop, conheça Daniela Andrade

Fonte: Reprodução/Facebook

É inegável a influência que hoje o YouTube exerce sobre a música. A plataforma é um dos principais canais de propagação de gêneros até então marginalizados e até mesmo da fomentação de novos subgêneros, casos do Lo-Fi/Hip-Hop.

Mas muito antes desse fenômeno, a tendência era a dos usuários que aproveitavam a visibilidade oferecida pela plataforma para disponibilizarem, em seus canais, covers de músicas consagradas ou que estavam no topo dos charts.

Lá em meados de 2009, a canadense Daniela Andrade aproveitou desse espaço para mostrar ao mundo o talento que tem em dar novas formas a singles mundialmente conhecidos. Em seu quarto mal iluminado, na sala do seu apartamento ou dividindo o plano da câmara com amigos, a canadense, acompanhada de um violão, entoava os versos de canções como "Fly To The Moon do Frank" Sinatra, "All My Loving do" The Beatles ou sucessos do grupo ABBA. Tudo feito de forma caseira para ser publicado em seu canal.


Os vocais adocicados de Andrade logo foram caindo na graça dos consumidores desse tipo de conteúdo. O principal responsável disso é a sua versão para "La Vie En Rose", da francesa Edith Piaf, disponibilizado em 2014, e que hoje contabiliza quase 50 milhões de visualizações. A partir daí a canadense viu seu canal crescer e um séquito de fãs apaixonados pelo trabalho dela surgiu. Atualmente, a musicista possui 1,8 milhões de inscritos.




Primeiro EP

Fonte: Reprodução/Facebook

E foi com seus covers tão adorados pelo público que Daniela conseguiu ir além da plataforma. A cantora, em 2016, lançou seu primeiro EP com músicas autorais, intitulado Shore. Sem esquecer-se dos fãs que a acompanham desde o YouTube, a canadense tornou o pequeno registro em um trabalho visual. São quatro canções em que cada uma é acompanhada de um videoclipe cuidadosamente produzido. No pequeno catálogo, Andrade lida com problemáticas do amor nos tempos do século 21, onde a tecnologia torna quase que dispensável a presença dos corpos.

Musicalmente, o EP mantém a mesma estrutura acústica já presente em seus vídeos disponibilizados na internet. São arranjos que fogem dos excessos para dar destaque aquilo que sempre foi o carro-chefe da carreira de Andrade: a sua voz. Há inserções de metais, transições eletrônicas e sintetizadores morosos, além de uma bateria arrastada. Uma moldura para os sentimentos desesperançosos que marcam os versos.



Próximo EP

Imergindo ainda mais na produção de trabalhos autorais, a canadense vem preparando o terreno para seu segundo EP, intitulado Tamale, com previsão de lançamento ainda para este semestre. Desde o ano passado, Andrade foi lapidando a própria imagem para se enquadrar num perfil mais autêntico e profissional, recortando as pequenas bordas do amadorismo que sobraram dos seus covers. Ela já lançou quatro singles do novo trabalho: “Genesis”, “Sometimes I Don’t”, “Polly Pocket” e “Wet Dreams”.

São produções que direcionam a canadense para um Bedroom Pop recheado por um R&B onírico e minimalista. Há pitadas também de jazz aqui, caso de “Wet Dreams”, e até um flerte com o chillhop que é sucesso no YouTube atualmente, “Genesis”, por exemplo. São canções facilmente assimiladas por ouvintes de artistas como Cuco, Clairo ou Billie Eilish, embora haja mais colorido na musicalidade de Andrade.

No processo criativo de encontrar a si mesma em meio a tanto material não autoral, Daniela Andrade resolveu recolher-se e resgatar suas experiências para transformá-las em canções. Enquanto isso, a canadense agracia o ouvinte com experimentos singelos, mas devidamente pensados.


Degustando Sonoridades: Gestos - Dramón





Dramón, projeto do musicista e design Renan Vasconcelos, lançou ano passado o EP Ansiedade Morta, registro que transporta o ouvinte para um universo onde o stress e a ansiedade são lentamente apaziguados. Materializado por meio de colagens de imagens de Búzios, Los Angeles e São Paulo, Renan dá vida ao clip para faixa “Gestos”, presente no EP.

“Esse é o quadro que pintei de algumas paisagens caiçaras. Afoguei-me nessa faixa”, relata o musicista sobre o processo de produção do vídeo. “Ele reflete bem a calmaria, e a introspecção que eu busco no meu trabalho”, completou.   
“Gestos” é um experimento de ruídos, sons ambientes, texturas densas e sintetizadores obscuros. Uma dose sonora para desliga-se das angustias cotidianas.

“Ansiedade Morta” está disponível nas plataformas de streaming musical e para download no Bandcamp via Sinewave.   


Degustando Sonoridades: Ainda Bem - Tai



“Ainda bem que você vai voltar/ Ainda bem que eu te tenho”, repete a cantora e compositora Tai em seu primeiro single em carreira solo, intitulado “Ainda Bem”. Marcada pela poesia reflexiva da cantora, a faixa é uma imersão nas narrativas dolorosas dos amores distantes geograficamente, mas que se mantém vivos pela esperança de um (r)encontro. 


Após mais de seis anos participando de diversas bandas, Tai finalmente encontrou o espaço que tanto almejou para expressar o seu eu-lírico. “Sempre tive medo de mostrar as músicas pro pessoal de todas as bandas. Já com minha última banda, me sentia reprimida de todas as formas, tanto o lado poético, criativo, estético, enfim”, confessa.  


É nesse momento de liberdade artística que a cantora sutilmente abre-se para contar pequenas histórias do seu cotidiano, sejam de si mesma ou de pessoas em sua volta. “Ainda Bem” soa como uma canção de ninar, embalada pelos vocais doces de Tai e um arranjo delicado, de cordas acalentadas e sintetizadores que sutilmente surgem para compor uma atmosfera serena. 


Assista ao lyric video de “Ainda Bem”:


Degustando Sonoridades: Cariño - The Marías



Com um ano desde o lançamento do ótimo EP de estreia, Superclean Vol. I, a banda formada pelo casal Josh Conway e a porto-riquenha Atlanta-raised María, já prepara o público para o volume II do EP, que tem previsão de lançamento para o mês de setembro deste ano. 

Para acalmar a ansiedade do público, os The Marías já divulgaram o first single do próximo registro. Intitulado Cariño, a banda sintetiza boa parte do som testado no trabalho lançado ano passado. Na mistura de um indie-rock sofisticado, com riffs climáticos e arranjos de metais que resgatam a sonoridade de ritmos latinos do século passado, a banda apresenta uma canção levemente psicodélica na qual os vocais lascivos de María entoam versos confessionais sobre um amor platônico. 




Degustando Sonoridades: Deine - HA:TFELT


Yenny, ou também Yeeun, é uma cantora sul-coreana que integrou por longos 10 anos o famoso girlgroup de música pop coreana Wonder Girls. Durante a carreira no grupo, Yeeun foi cercada por hits, aclamação do público e, infelizmente, imposições de sua agência, transformando-a em uma pequena peça da engrenagem do grande mercado do K-pop. Porém, nos últimos anos de atividades das Wonder Girls, a cantora e suas companheiras puderam ter mais liberdade artística. O último álbum, Reboot (2015), com exceção do first single, foi todo produzido por ela e as outras integrantes, assim como o digital single Why So Lonely (2016), composto por três faixas de total autoria das garotas.

Em 2017, veio o anúncio do fim do grupo e cada integrante separou-se para dar início aos seus trabalhos solos. No caso de Yenny, ela já havia lançado em 2014 o EP Me?, pelo seu pseudônimo HA:TFELT, no qual explorou a sua autonomia como musicista e deixou evidente que ela não se resumia apenas a uma integrante de uma girlband.

Além de cantora, a sul-coreana é compositora e instrumentista e, desde o primeiro registro em carreira solo, mostrou-se estar no controle da liderança no processo de criação e produção de seus trabalhos. Isso ficou mais solidificado para os fãs, o público em geral e até a própria crítica coreana com o lançamento do seu digital single MEiNE (2017), que significa "meu" em alemão. Livre da sua antiga agência e do mercado mainstream da Coreia do Sul, Yeeun materializou seu próprio universo e anseio artístico em duas delicadas faixas, I Wander e Read Me, canções sem pretensões comerciais, ainda que use de alguns elementos do cenário, mas tudo de uma forma criativa e sem soar genérica. I Wander vai lentamente abrindo espaço para os riffs de guitarra, estalos de dedos e pequenas batidas, quase soando como um versão acústica. Porém, o brilho deste registro fica para a segunda faixa, Read Me, onde o teclado, os estalos e as batidas envolvem-se em uma forma harmônica para acompanhar o vocal manso de Yenny, incrementado por uma leve dramaticidade com o arranjo de cordas. 

Em MEiNE, a sul-coreana não repete os exageros dos hits de seu ex-grupo. Há uma preocupação na delicadeza dos arranjos, principalmente porque as canções retratam o momento de rompimento da cantora com seu antigo trabalho, as Wonder Girls, para trilhar novos caminhos. As inseguranças e os medos de Yeeun devido ao fim do grupo são estampados nas letras, que vêm acompanhadas de roupagens que dão formas aos sentimentos carregados por ela, ao mesmo tempo que a encorajam para enfrentar as futuras dificuldades como uma artista solo. 

As mesmas preocupações com os arranjos estão presentes em Deine (2018), segundo digital single do projeto HAT:FELT. Cada elemento vem em doses medidas, evitando excessos que podem desarmonizá-los. Os sintetizadores atmosféricos, as batidas robóticas e as batidas de dubstep, os acanhados riffs de guitarra e os sussurros que preenchem as duas canções transitam em uma zona branda e também delicada. 

Pluhmm, primeira canção do novo trabalho e também o single de divulgação, apresenta sem rodeios um arranjo que se alimentam de recursos do cenário comercial, mas modelados em uma forma criativa e não genérica. Enquanto em MEiNE a cantora estava fechada em seu íntimo, nessa canção ela se mostra livre dos medos de outrora e curiosa para tomar conhecimento do que o seu público quer. Cigar, segunda faixa, abre com sintetizadores que criam uma atmosfera intangível, que soa quase rarefeita, mas logo divide espaço para as batidas palpáveis do dubstep. É um universo de ecos sintéticos no qual os vocais de Yenny conduzem o ouvinte.

O que torna esse registro diferente do anterior são as composições e as fontes nas quais a coreana recorre para construir seu trabalho. Pluhmm vem com algumas doses da sonoridade volúvel e sutil da bossa-nova, faz referência ao filme Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (2004), enquanto a letra mostra o lado lascivo e sensual de Yenny. Não é por acaso que a palavra  Deine, "seu" em alemão, foi escolhida como título deste trabalho. Após enfrentar os medos e as inseguranças, HA:TFELT quer entregar-se ao público e criar canções que atendam aos anseios dos seus fãs, mas, claro, sem deixar sua criatividade e autonomia artística de lado.







Degustando Sonoridades: Sky Full Of Song - Florence + The Machine


Dois anos após o majestoso How Big, How Blue, How Beautiful, Florence Welch já tem trabalho pronto para ser lançado ainda este ano. Esse é o caso de High as Hope, quarto álbum de inéditas de Florence e sua banda, e com previsão de lançamento para o final de junho. 

Preparando o público para o que estar por vir, a cantora lançou Sky Full Of Song, primeiro single do novo trabalho. A faixa foge dos arranjos orquestrais e das guitarras rebeldes do álbum anterior e entrega uma som mais intimista, no qual o vocal de Florence é o fio condutor dos mais de três minutos de canção. A base instrumental é cuidadosamente dosada, cada elemento surge aos poucos e de uma forma acanhada para acompanhar os vocais dominantes da cantora. 

Degustando Sonoridades: Summer Lover - YMA & GAB


Em Summer Lover, YMA & GAB, duas brasileiras que possuem carreiras paralelas, mas fazem uma parceria aqui, resolvem sussurrar versos sobre amores efêmeros, que compartilham por alguns momentos as trocas de carinho, mas que logo são deixados no passado, tornando-se apenas meras recordações.

Guitarras ensolaradas, vocais que imergem o ouvinte num universo onírico praiano, sintetizadores e um lascivo saxofone tecem a base instrumental da faixa, soando levemente empoeirada. Summer Lover transita entre as confissões amorosas que parecem, a cada segundo da canção, tomarem forma, ao mesmo que tempo que, nos minutos finais, tudo se dissolve, retornando ao universo das lembranças dos momentos íntimos de outrora. 

 

Degustando Sonoridades: Breathe In, Breathe Out - Melody's Echo Chamber


Após ter anunciado o seu segundo álbum de inéditas no ano passado, e ter interrompido o processo de criação do registro por conta de um acidente grave que sofreu, Melody Prochet, nome por trás do projeto Melody's Echo Chambers, retorna as atividades e lança mais um single para promover Bon Voyage (2008), disco que contará com sete faixas. 

Breathe In, Breathe Out traz os mesmos vocais letárgicos de Melody, adornados de efeitos que transmitem uma sensação anuviada. O diferencial em relação ao trabalho antecessor, Melody's Echo Chamber (2012), fica para as guitarras mais energéticas e as quebras rítmicas que permitem a musicista brincar com diversos elementos, criando uma pintura com um número generoso de linhas, formas e cores em pouco menos de três minutos de canção.

 

Degustando Sonoridades: Sisters - Natalie Prass




Preparando o público para o seu segundo álbum de inéditas, The Future and the Past (2018), que será lançado no dia 01 de junho, Natalie Prass lança mais uma canção que irá compor o próximo catálogo do novo trabalho. 

Sisters mantém Natalie ainda mais afastada da atmosfera soturna do registro anterior, transmitindo uma autoconfiança e um sentimento de sororidade feminina. Entre um piano sofisticado, riffs de guitarras bem dosados e toda uma preocupação de tornar o arranjo delicado, sem soar frágil, a canção se destaca pelo coro de mulheres que tomam boa parte da canção, momentos em que a voz de Prass tornar-se quase inaudível. 

Degustando Sonoridades: Candy - Doja Cat




Aproximando-se de um universo mais acessível ao grande público, Doja Cat deixou a letargia presente em seu primeiro trabalho, o EP Purrr! (2014), e resolveu flertar com elementos e sonoridades mais próximos da música pop. A chiclete Go to Town e a mais melódica Roll With Us são dois singles lançados este ano pela cantora e prova definitiva que Doja visa o mainstream

Dessa vez, a norte-americana entrega ao público a faixa Candy, que, embora siga a mesma proposta das duas canções já lançadas, destaca-se por inclinar-se mais ao hip-hop. Batidas robóticas, sintetizadores e as rimas de Doja dão corpo ao arranjo sintético da faixa, tudo isso inserido em uma atmosfera menos colorida do que dos dois lançamentos anteriores. 


 

Degustando Sonoridades: Life in Pink - Kate Nash


Preparando o público para o seu novo trabalho, Kate Nash lançou nesta semana a faixa Life In Pink, segundo single do seu quarto álbum de inéditas, Yesterday Was Forever (2018).

Em uma mistura da açucarada Nash dos primeiros álbuns e da rebeldia presente em Girl Talk (2013), Life In Pink é construído por um arranjo de cordas alinhado com a variação vocal da cantora, entre suavidade do início da canção a os vocais rasgados que surgem a medida que a britânica entoa os versos sobre sua saúde mental. Tudo isso envernizado com pinceladas de sintetizadores que colorem a canção.

Yesterday Was Forever será lançado no dia 30/03.   

 

Degustando Sonoridades: Higher / Three - Lily Allen



Numa clara tentativa de consertar os deslizes do registro anterior, Sheezus (2014), a britânica Lily Allen vem apresentado canções assertivas, em que a mistura do hip-hop com a sonoridade pop da cantora não caia no universo genérico do mainstream. Trigger Bang, primeiro single de divulgação do novo trabalho, é um exemplo claro desses acertos da britânica.

Adiantando um pouco mais das surpresas que seu próximo disco irá apresentar, intitulado No Shame (2018), Lily divulgou mais duas faixas, Higher e Three. Duas canções que economizam nas bases instrumentais, mas envolvem o ouvinte nos pequenos detalhes. Enquanto em Higher há batidas suavizadas, riffs escorregadios e um vocal manso; em Three, ainda que minimalista, há uma carga emocional e uma composição que toca nas fragilidades da interprete, distanciando-se da Lily de humor seco, sarcástico e crítico do último registro.

No Shame (2018) será lançado no dia 08/6. Abaixo a lista de canções que estarão presentes no álbum. 

1. Come On
2. Trigger Bang (com Giggs)
3. What You Waiting For
4. Your Choice (com Burna Boy)
5. Lost My Mind
6. Higher
7. Family Man
9. Apples
10. Three
11. Everything to Feel Something
12. Waste (com Lady Chann)
13. No One
14. Pushing Up The Dasies
15. Cake


 

Degustando Sonoridades: Short Court Style - Natalie Prass




Natalie Prass lançou, no começo desta semana (26), o primeiro single do seu novo álbum de inéditas. Após seu debut, "Natalie Prass" (2015), álbum marcado por uma atmosfera frágil e arranjos sofisticados, a cantora resolveu seguir um novo caminho e entrega uma faixa com uma sonoridade diferente do registro anterior. 

"Short Court Style" apresenta uma Natalie mais positiva, flertando com um som mais inclinado ao pop. Com uma guitarra e um teclado colorido, Prass se aproxima de um universo sessentista, levemente dançante, sem deixar de soar delicado, graças ao seu vocal manso. 

"The Future and The Past" será lançando no final deste semestre, no dia 01/06. 

Degustando Sonoridades: Trigger Bang (Feat. Giggs) - Lily Allen



Em seu último trabalho lançado, "Sheezus" (2014), Lily Allen falhou ao tentar se enquadrar na vibe e nos elementos musicais em voga na época, ao flertar com o hip-hop e brincar com recursos eletrônicos, detalhes tão presentes nos registros pop como "Bangerz" (2013) da Miley Cyrus e "Prism" (2013) da Katy Perry. Porém, preparando o terreno para o seu quarto álbum de estúdio, Lily retoma a proposta de "Sheezus", mas, desta vez, consegue chegar no ponto certo da receita.

"Trigger Bang" traz texturas suaves, um hip-hop mais sonorizado e um arranjo que deixa os excessos de lado. Além disso, os vocais de Lily estão adornados por efeitos que transmitem uma leve nostalgia, enquanto entoa versos que rememoram momentos da sua adolescência. Acompanhando os vocais, as batidas suavizadas, os pequenos efeitos sonoros eletrônicos e um teclado que traz uma atmosfera juvenil preenchem o espaço restante da canção. Ainda que a faixa esteja na mesma zona pop apresentada pela cantora desde "Alright, Still" (2006), ela consegue se desviar das composições genéricas de "Sheezus" e torna-se um ponto de partida para Lily Allen retomar a qualidade em suas produções.   

O quarto álbum de inédita de Lily Allen, "The Fourth Wall" (título ainda não confirmado), tem previsão de estreia para o primeiro semestre de 2018.


 


Degustando Sonoridades: Hard Times - Paramore




Se você é um fã ou admirador do Paramore saudosista das duas primeiras eras da banda, infelizmente, "Hard Times", novo single deles, não é para você. Se "Paramore", último álbum do trio, você o recebeu com maus olhos, é melhor nem tentar ouvir a nova canção dos estadunienses. 

Assim como no último registro, em "Hard Times", a banda se joga numa sonoridade mais pop, encorpada de sintetizadores, xilofones, melodias chicletes e refrãos energéticos. A percussão e os riffs de guitarra parecem ter saído de algum remake de "Tarzan", dando toda uma atmosfera tropical a canção. Além disso, há flertes com a new wave aqui, o que deixa a faixa bem mais interessante. 

"Hard Times" é mais uma das tentativas de Hayley, Taylor York e Zac Farro, que retornou ao Paramore, de não continuarem na mesma fórmula das bandas de pop-rock dos 2000 que deu tanto certo, mas que, infelizmente, nessa década, parece estar saturada. Maroon 5, nos últimos trabalhos lançados por eles, é o exemplo mais concreto dessa transição.

Para alguns, a mudança  sonora tão repentina de Paramore, depois da saída de alguns membros, pode ter causado desinteresse em ouvir os novos trabalhos da banda. Todavia, é essa mudança que garantiu ao Paramore ainda está de pé e sobreviver dentro de um mercado tão instável.

 

Degustando Sonoridades: Cross My Heart - Melody's Echo Chambers



Finalmente! FI-NAL-MEN-TE! Melody Prochet lança material novo. Após cinco anos, desde o lançamento do álbum título do projeto Melody's Echo Chambers, que contou com a produção de Kevin Parker, vocalista e produtor do Tame Impala, a francesa entrega ao público uma faixa inédita e já anuncia o segundo álbum de estúdio da banda.

"Cross My Heart" inicia na costumeira sonoridade já trabalhada no disco anterior, mas, durante os quase sete minutos que a constitui, mergulha numa variedade de ritmos e gêneros, indo além do pop psicodélico característico da banda. É uma faixa composta por retalhos, nuances e quebras rítmicas nos arranjos. Para quem já a conhece, é um misto de nostalgia e novidade e, para quem ainda não, vale a pena dar uma escutada. 

O segundo álbum já tem nome e se chamará "Bon Voyage", porém sem data definida de lançamento. Mas apesar disso, "Cross My Heart" consegue apaziguar um pouco da ansiedade e expectativa na espera pelo o novo registro de Melody Prochet. E quem ficou interessado no trabalho da cantora e quiser ouvir o primeiro álbum de estúdio dela, é só clicar aqui.

Degustando Sonoridades: Berli(m)possível - Nana



Nana é uma artista baiana que lançou seu primeiro álbum, intitulado "Pequenas Margaridas", no ano de 2013. O registro debut é um gostoso indie-pop que brinca com o samba, a bossa-nova e até a jovem guarda. Falei dele aqui no blog na estreia do "Degustando Sonoridades". Para quem quiser dar uma lida é só clicar aqui.

Após 2 anos, e para minha felicidade, além de só ter descoberto há poucas semanas, a cantora lançou um segundo registro. Dessa vez, Nana nos presenteia com 4 canções, lançadas em 2015, em forma de um EP. Levando o nome "Berli(m)possível", o EP retoma a mesma atmosfera do trabalho anterior, um som quase onírico, anuviada e de vocais mansos, mas sem esquecer o ingrediente principal, a doçura. 

A diferença entre os dois registro é que, em "Berli(m)possível", a cantora deixa de lado a bossa-nova e se joga nos ritmos regionais nordestinos, como na faixa-título e na letárgica "Recomeçar". Por outro lado, ainda se mantém fiel ao samba. "Ano Novo" e "Amor, Bicho Geográfico" são uns verdadeiros abre alas, dois sambinhas carnavalesco recheados da candura típica da baiana. Já nas letras, Nana destaca as sensações de estar apaixonado, a procura por relacionamentos, as dores causadas pelo amor e o processo de auto renovação.

"Berli(m)possível" é doce, sentimental na medida certa e flerta com os ritmos brasileiros de uma forma diferente do habitual (Para quem não teve contato com seu primeiro trabalho). É uma artista que ainda não tem o devido destaque no cenário independente brasileiro, mas que merece ter o seu trabalho reconhecido e compartilhado.


 


OUÇA: Bandcamp
 


Degustando Sonoridades: Três álbuns lançados em 2015 e que você nem fazia ideia



O ano finalmente acabou! Olha só, estamos em 2016, embora pareça que não. É como se alguém repentinamente tivesse inventado um mês 13, incluído no calendário do ano passado e, assim, continuamos presos em 2015 achando estarmos em 2016 (Bem idiota, né? OK. Eu sei disso). Deixando essa teoria conspiratória boba de lado, vamos falar do que interessa.

O ano de 2015 foi bem produtivo para o mundo da música, desde lançamentos de singles pegajosos até álbuns loucamente aguardados pelos fãs de música. Tivemos o grudento-viciante-pegajoso-delicioso single "Hotline Bling" do Drake, que foi lançado no segundo semestre do ano, mas dominou os Charts e, de quebra, foi a faixa mais executada do ano no Spotify. Além dessa delícia, o Tame Impala nos presentou com seu aguardado terceiro álbum de estúdio, o "Currents", que, para mim, foi um dos melhores álbuns do ano. Tivemos também o lançamento de "Art Angels" da Grimes, bastante aguardado, afinal, a cantora havia descartado um álbum inteiro e recomeçado tudo do zero. Embora pareça radical essa atitude, eu, após ouvir "Art Angels", o álbum que ela produziu após ter descartado o anterior, não a perdoaria se ele não fosse lançado. E, claro, o ano de 2015 foi dele, do Kendrick Lamar e seu álbum "To Pimp A Butterfly". O álbum foi um dos mais aclamados pela crítica e liderou diversas listas de melhores álbuns de 2015 em sites e blogs especializados em música. E não para por aí não, o cara, merecidamente, teve 11 indicações ao Grammy de 2016 e, dessa vez, acredito que ele ganhe não só pela brilhante obra que é seu disco mas também pela injustiça sofrida no Grammy de 2014, no qual perdeu injustamente nas categorias "Melhor Álbum de Hip-Hop/Rap" e "Revelação do Ano" para a dupla BRANCA Macklemore & Ryan Lewis.

Mas isso tudo você já sabe, não é? Sabe também que Florence and the Machine lançou álbum, que o Father John Misty também, a Selena Gomez também... Enfim. Entretanto, vamos continuar um pouco mais em 2015 e, aproveitando que ainda estamos no começo de 2016, listar três álbuns lançados no ano passado que você, provavelmente, nem fazia ideia, mas que merecem, com certeza, sua atenção.


  • Natalie Prass - "Natalie Prass"


Natalie Prass é uma cantora e compositora norte-americana de country alternativo. Ela começou sua carreira no mundo da música sendo tecladista para Jenny Lewis. Além disso, ela também passou por duas faculdades de música, desistindo na primeira, a Beck College of Music, mas prosseguiu seus estudos na Tennesse State University (Talvez, você deve nem fazer ideia que faculdades são essas, pois eu também não, mas é importante ressaltar o currículo de um musicista).

Seu primeiro álbum, que leva o seu nome, foi lançado no começo de 2015, em meados do fim de janeiro e começo de fevereiro, pelo selo Spacebomb. O disco já estava pronto há dois anos, mas o adiamento de seu lançamento foi devido ao lançamento de outro disco também lançado pela Spacebomb, que acabou voltando todo seu trabalho para esse, deixado o de Natalie na gaveta. Mas tudo isso acabou sendo positivo, pois Natalie teve tempo de aperfeiçoar sua obra.

"Natalie Prass" é um disco que soa tão delicado, sensível e apaixonante, seja pela voz doce da cantora ou pela suavidade do arranjo, mas não se engane, pois ele é amargo. "My Baby Don't Understand Me", faixa que abre o disco, já mostra ao ouvinte a riqueza de instrumentos que estão presentes em cada arranjo desse álbum, desde instrumentos de sopro, como flauta e saxofone, aos de corda, violino, guitarra e baixo, e até o piano. Tudo isso é montado de uma forma tão harmônica e suspirante que soa como se Natalie estivesse declarando seu amor por alguém, mas, na verdade, ela está resgatando dores do passado. 

O primeiro disco de Prass é um mergulho em suas memórias amargas, de experiências amorosas, que outrora, a causaram dor. Suas composições mostram sua fragilidade, seja pelas promessas amorosas não cumpridas e o desprezo sofrido, cantados em "Your Fool", a dor com o fim do relacionamento, em "Why Don't You Belive Me?", ou a fracassada tentativa de esquecer o amado que a deixou, em "Never Over You". São pedaços amargos vividos por Natalie e emoldurados em forma de música, numa tentativa de imortalizar tudo que sentiu. Entretanto, todos esses sentimentos internalizados são passados ao ouvinte como presentes embalados em melodias alegres e doces, como em "Bird of Prey", dando a sensação de que tais lembranças não machucam mais Natalie (e, também, o risinho no final da já falada "Your Fool" deixa essa impressão). Mas não se engane pela alegria do piano, ou pela harmonia dos arranjos de corda, pois há sofrimento por trás de toda esses adornos. 

Pode parecer sadista e uma enorme falta de empatia com Natalie, mas ouvir as nove faixas que preenchem esse álbum é extremamente prazeroso. A norte-americana mistura toda a delicadeza do seu country alternativo com gêneros como o soul e o folk, com boas doses de pop, o que torna seus versos melancólicos em verdadeiros chicletes. A cantora ainda traz boas surpresas: "Christy", quarta faixa do disco, com sua linha folk, é uma viagem a um universo fantástico de fadas e outros seres mágicos, é uma canção que poderia entrar facilmente em qualquer soundtrack de algum filme de ficção-fantástica, como "As Crônicas de Nárnia", por exemplo. Há também "It Is You", faixa que encerra o disco, uma verdadeira valsa que lembra as nostálgicas e encantadoras trilha sonoras dos filmes da Disney.

Mesmo como sua veia pop, o disco concilia muito bem os vocais de Prass com o instrumental, não há mais destaque para sua voz em detrimento ao opulento número de instrumentos que compõem o arranjo, característica muito presente em músicas desse gênero. Assim, a norte-americana constrói um casamento assertivo, entre voz e instrumentos, para criar uma obra verdadeira, carregada de sentimentos dolorosos, de fragilidade, mas com uma boa dose de doçura.




OUÇA O ÁLBUM: Spotify 


  • F(x) - "4Walls"

Para quem não sabe, F(x) é uma girlband sul-coreana que... Bem, antes da apresentação, é necessário pontuar que não, essa band não se chama F de X, como na função da matemática, mas sim "éf  écs" (É bom pontuar isso antes de tudo!). Voltando a apresentação: F(x) é uma girlband sul-coreana formada originalmente por cinco garotas (Luna, Amber, Krystal, Victoria, e Sulli). As garotas são agenciadas pela SM Entertainment (Equivalente à gravadora/selo, como aqui no ocidente) e debutaram no ano de 2009. Desde o debut, as cinco integrantes lançaram cerca de dois EPs e três álbuns, todavia, foi anunciado em julho do ano passado a saída de uma das integrantes, a Sulli. A SM Entertainment já havia passado pela mesma situação alguns meses antes, quando uma integrante do grupo Girl's Generation resolveu sair também, mas, nesse caso, a saída da integrante não causou muito dano para a estabilidade comercial do grupo, que é um dos mais populares na Coreia. Entretanto, no caso das F(x), era bem diferente, afinal, Sulli era, digamos, o rostinho do grupo, a mais amada e adorada pelos fãs, além de que o grupo não possuía, ainda, uma destaque e uma imponência tão grande como as Girl's Generation. Será que as F(x) sobreviveriam a perda de Sulli? Será que o grupo iria continuar vendendo? Será que o grupo iria... Essas e outras perguntavas rodavam intensamente na cabeça dos fãs de música coreana. Mas, felizmente, a saída de Sulli foi a melhor coisa que podia ter acontecido ao grupo (desculpa aí, fãs da Sulli!).
            
"4Walls" é o quarto álbum do girl-grupo, e o primeiro com apenas quatro integrantes da formação original. Bem, o nome do álbum é bem sugestivo e já sabemos o porquê. Você poderia dizer que essa foi uma jogada de marketing bem oportunista da agência das garotas (e eu concordo com você), porém, ao ouvir as dez faixas presentes no disco, você esquece completamente esse detalhe. Um dos principais responsáveis por isso é a faixa de abertura do disco e também o primeiro single de divulgação desse novo trabalho, a faixa-título "4Walls". O single é um sedutor deep-house que mais soa como algo lançado pelo Clean Bandit, mas, claro, sem aquela pegada erudita com o violino e violoncelo. Aqui, os poucos mais de três minutos e meio são dominados pelas batidas que vão crescendo nos segundos iniciais e se solidificando linearmente pela canção, sem exageros e excessos, tudo muito bem dosado. É legal ver também, graças ao número de integrantes reduzido, os versos sendo distribuídos de forma bem mais justa, sem que uma integrante domine mais a canção do que outra, o que acaba dando um colorido maior a música, por conta da variação de vocais.

Mas não é só o single que se destaca nesse disco. A SM Entertainment vem desde "Electric Shock" (2012), segundo EP das meninas, experimentando e incorporando uma série de fórmulas na sonoridade do grupo, numa tentativa de diferenciar o som da band em relação a outros grupos de pop coreano. "Pink Tape" (2013) e "Red Ligth" (2014), respectivamente segundo e terceiro álbum, incorporam mais intensamente essa proposta, enquanto um traz um single que funde o eletrônico com o samba brasileiro, o outro brinca de experimentalismo eletrônico. Ambos constroem a imagem e o som do grupo, um misto de batidas eletrônicas contagiantes com uma pitada de algo bizarro e estranho (Entretanto, no novo álbum, o bizarro e estranho tenham sido deixados de lado). São esses registros que dão base ao quarto álbum do grupo, um mergulho intenso no que há de melhor da EDM, além de trazer faixas que passeiam pelo dubstep ("Cash Me Out", por exemplo) e pela world music ("Diamond"). Há ainda no disco uma dose extra de deep-house na faixa "Rude Love" e algumas outras faixas que amenizam o catálogo eletrizante de batidas, como "Traveler", por exemplo, e mesmo quando tudo parece indicar que vem uma baladinha piegas por aí, como em "When I'm Alone", novamente somos jogados nas batidas e arranjos sintéticos que dominam o álbum.

É assim que "4Walls" foge do som um tanto quanto peculiar do grupo, como, por exemplo, na faixa "Showdown" do disco "Pink Tape", que mais parece uma bizarra canção de alguma caixinha de música macabra (e isso não quer dizer que ela é ruim, pois ela não é), mas mantém o eletrônico testado desde o EP "Electric Shock". Assim, o novo disco marca o amadurecimento de um grupo que, há tempos, servia apenas como plano de fundo para a sua agência e que, enfim, conseguiu seu devido destaque.




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  • Citizens! - "European Soul"

Citizens! é uma banda londrina de música indie formada por cinco caras (Martyn, Mike, Thom, Lawrence e Tom). O som deles é uma mistura de pop/rock bem dançante com uma pegada eletrônica (O que torna tudo mais gostoso, né?). E foi nessa mistura que seu primeiro disco, "True Romance" (2012), saiu do forno. Mas o mais legal de tudo isso é que o disco debut dos londrinos foi produzido por, saca só, o Alex Kapranos, vocalista do Franz Ferdinand. E Alex conseguiu, de forma assertiva, dá boas lapidadas no som dos rapazes. "True Romance" é disco repleto de riffs de guitarras viciantes, uma bateria contagiosa, teclado e um sintetizador que dão um toque bem gostoso as faixas que preenchem o disco (Vale a pena uma escutada depois). Um som que lembra um pouco o do Fraz, mas só lembra mesmo, pois o Citizens! conseguem imprimir sua própria identidade. 

Apesar de tudo isso, a banda praticamente não tem nenhum destaque ou menções relevantes nos blogs e sites brasileiros especializados em música indie/independente, o som deles passa quase despercebido por aqui. E não foi diferente com o segundo álbum deles, lançado ano passado, em meados de Abril, o "European Soul". Você, provavelmente, não irá achar nenhuma resenha sobre o disco pelos sites brasileiros, mas eu vou contar um pouco sobre ele para você.

Como já falei, "European Soul" foi lançado em Abril do ano passado, mas, dessa vez, a produção não conta mais com o Alex e sim com o George Reid, integrante da dupla eletrônica AlunaGeorge. E para quem conhece o som da dupla, já deve imaginar os caminhos que o Citizens! percorrem no novo álbum.  Aqui, no segundo álbum, os londrinos se entregam mais ainda ao eletrônico, os sintetizadores, que no primeiro álbum ficavam mais em segundo plano, dessa vez, recebem seu merecido destaque, dividindo espaço com os riffs da guitarra.

É assim que o catálogo de canções do novo disco dos caras se constrói, entre sintetizadores bem destacados e riffs de guitarra contagiantes. Além disso, o disco possui uma produção melhor que anterior, com faixas que parecem se revestir de fragmentos dos 1980, brincando com a new wave, o synthpop e até o groove. Por isso, "European Soul" se mostra uma obra mais refinada, com a banda entregue ao um som mais pop e dançante, com faixas que grudam no ouvido desda primeira audição e que se tornam difíceis de não se viciar. 

O álbum finaliza reafirmando a imagem da banda, algo mais despojado e retrô. E isso se percebe desde os singles "Lighten Up", "Waiting For Your Love" e "My Kind Of Girl", canções que parecem ter saído dos anos oitenta, mas remasterizados em uma roupagem mais moderna. Além disso, o álbum oferece ao ouvinte canções altamente dançante, como "Brick Wall" , ou mais grudentas, como "European Girl". 

Aqui, um dos ingredientes principais, a cereja do bolo, que torna essas canções, e as outras que completam o disco, tão atrativas e viciantes, além de reforçar mais ainda a identidade e o som da banda, são os sintetizadores tão presentes em todas elas.  




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